A tecnologia tem se mostrado uma importante aliada para garantir autonomia, inclusão e qualidade de vida à população idosa. Foi com esse propósito que a Associação Pró-Esporte e Cultura (APEC) realizou, na última quinta-feira (28), o evento oficial de lançamento da segunda turma do projeto Conectando Gerações, iniciativa que oferece aulas gratuitas de tecnologia para pessoas idosas, promovendo a inclusão digital e facilitando o acesso a ferramentas cada vez mais presentes no cotidiano.
Voltado à inclusão digital da terceira idade, o projeto oferece aulas sobre smartphones, aplicativos, redes sociais, serviços online e segurança digital, além de atividades que estimulam a cognição, o bem-estar e a convivência entre os participantes.
“O Conectando Gerações nasceu da necessidade de aproximar a pessoa idosa da usabilidade básica dos celulares, algo que hoje está presente em praticamente todas as áreas da vida. Para marcar uma consulta médica, acessar serviços ou resolver questões do dia a dia, é preciso utilizar a tecnologia. Com o crescimento acelerado da internet, percebemos dentro das nossas próprias famílias o quanto muitos idosos ainda não tinham acesso a essas ferramentas. Foi pensando em garantir esse direito e ampliar a acessibilidade que o projeto surgiu”, explica Thamires Gomes, gerente de projetos da APEC.
Ao longo do evento, os relatos dos participantes evidenciaram não apenas o entusiasmo pelas novas descobertas tecnológicas, mas também como a inclusão digital pode gerar impactos muito mais amplos do que aqueles previstos inicialmente. As histórias compartilhadas mostraram que, além do aprendizado, o projeto vem promovendo autonomia, fortalecimento de vínculos, pertencimento e novas perspectivas de vida.
Entre os relatos que emocionaram o público estavam histórias de superação, retomada da confiança e até novas oportunidades de geração de renda. A própria coordenação percebeu que os resultados alcançados ultrapassaram os limites da sala de aula, contribuindo para a construção de um ambiente de troca de experiências, amizade e apoio mútuo.
Uma das participantes, Luciene, 61 anos, que convive com perda auditiva profunda, contou que dependia constantemente de outras pessoas para compreender mensagens de áudio enviadas por familiares e amigos. Durante as aulas, ela descobriu a função de transcrição de áudios do WhatsApp, recurso que trouxe mais independência à sua rotina.
“Hoje eu não preciso mais pedir para outra pessoa escutar os áudios para mim. Eu transcrevo e consigo entender tudo. Estou praticamente conectada com o mundo. Esse curso mudou a minha vida”, relata emocionada.
A descoberta também marcou a assistente de coordenação do projeto, Lígia. “Para nós era uma função simples, usada no dia a dia. Para ela, significou uma transformação completa na forma de se comunicar com a família e os amigos. Foi um dos momentos mais marcantes do projeto”, afirma.
Outro tema recorrente nos depoimentos foi a segurança digital. Consuelo, 74 anos, participante do projeto, conta que já havia sido vítima de golpes virtuais e que os conhecimentos adquiridos nas aulas a ajudaram a identificar tentativas de fraude com mais facilidade.
Recentemente, ela recebeu mensagens de uma pessoa que se passava por seu filho e solicitava dinheiro por meio de um número desconhecido. “Percebi que o telefone era diferente e também porque meu filho nunca me pediria dinheiro daquela forma. Antes eu talvez não tivesse percebido. Agora me sinto mais preparada”, conta.
Além disso, ela destaca que uma de suas primeiras conquistas foi aprender a utilizar aplicativos de transporte. “Eu aprendi a chamar Uber, coisa que não sabia fazer. No primeiro dia já consegui”, comemora.
A tecnologia também abriu portas para novos projetos pessoais. Marlene, 61 anos, que sonhava em abrir um brechó, encontrou no ambiente digital uma oportunidade para começar antes mesmo do previsto. “Quando entrei no curso, pensei: por que não vender online? Hoje eu mesma faço as publicações dos produtos e tenho muito mais segurança. Estou gostando muito”, afirma.
Segundo ela, o medo de errar ou não conseguir administrar as publicações era um dos principais obstáculos antes de participar das aulas. “Agora estou muito mais confiante.”
Para a coordenação, os resultados superaram as expectativas iniciais. “O projeto estava apenas no papel e nós esperávamos bons resultados. Mas ouvir os depoimentos e perceber que estamos impactando vidas de forma tão significativa supera qualquer expectativa”, afirma o coordenador José Augusto.
Ele destaca que a tecnologia é apenas uma ferramenta dentro de um processo muito maior. “A metodologia é tecnológica, mas o que acontece dentro da sala vai muito além disso. Existe troca, convivência, amizade e acolhimento. Isso é o mais gratificante.”
Para a assistente de coordenação Lígia, a experiência também tem provocado reflexões sobre o envelhecimento. “Muitas vezes a sociedade associa o envelhecimento à perda de autonomia. Aqui percebemos justamente o contrário. As pessoas continuam capazes e cheias de potencial; precisam apenas das ferramentas adequadas para acompanhar as transformações do mundo”, ressalta.
O impacto do projeto também é percebido por quem acompanha de perto a evolução dos participantes. Para a professora Giovanna Pericine, cada encontro reforça a importância da iniciativa.
“Eu sou tão grata em participar desse projeto; é tão importante essa inclusão. Fico emocionada com cada depoimento que recebemos. É nesse momento que percebemos que nossa ação faz diferença na vida das pessoas e o quanto sou realizada por isso. Parabéns a toda equipe e obrigada por me dar o privilégio de participar de algo tão significativo”, afirma.
Mais do que ensinar o uso de celulares e aplicativos, o Conectando Gerações tem contribuído para que seus participantes se sintam mais independentes, seguros e conectados. Para os alunos, o aprendizado vai muito além das telas: representa a oportunidade de ampliar horizontes, fortalecer laços e descobrir que nunca é tarde para aprender algo novo.
Em uma sociedade cada vez mais conectada, iniciativas como essa reforçam que inclusão também significa garantir que a população idosa tenha acesso às ferramentas necessárias para participar plenamente da vida social, acessar serviços, manter vínculos e acompanhar as transformações do mundo contemporâneo.
A continuidade desse trabalho é possível graças ao apoio de empresas que reconhecem a importância do investimento social e acreditam no potencial transformador de projetos desenvolvidos dentro das comunidades. A segunda edição do Conectando Gerações conta com o patrocínio de Resolv, Sicoob Cocred Livre, Vivant, RE/MAX Ribeirão Preto, Grupo Di Tullio, Honda Lago-San, CCM, ViaBrasil Mobility, Le Bonbon, Bella Città, Planalto Verde, Dimetal, Paula Vancine, Moldura Minuto, Museu da Gula, HI Service, Riber Seguros, Beijo do Sol, Sittas Home, Brasil Salomão, Balões PCP, Master Pool, Bernardini Martins Ferraz, Mattos + Mattos, Brich, Faleiros, Signos Sports, Blitztur, Carla Amorim, Usina Pitangueiras, ZPP Construções, Martinelli Imobiliária, Jardim Olhos D’Água e Calcário PH7.
Na APEC, a inclusão é compreendida de forma ampla e contínua. Se muitos dos projetos desenvolvidos pela associação são voltados para crianças e adolescentes, o Conectando Gerações amplia esse olhar ao reconhecer que o envelhecimento também deve ser acompanhado por oportunidades de aprendizagem, convivência e participação social. Em diferentes fases da vida, o propósito permanece o mesmo: criar caminhos para que mais pessoas tenham acesso a direitos, construam novas experiências e se sintam pertencentes à sociedade. Afinal, conectar gerações é também valorizar trajetórias, promover encontros e construir pontes entre passado, presente e futuro.








