Foto: Bola Bacana 12 – Sidrolândia/MS
A insegurança alimentar no Brasil tem ocupado espaço cada vez maior nos debates públicos e nas discussões sobre desenvolvimento social. Segundo dados do Governo Federal, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) assegura refeições para cerca de 40 milhões de estudantes da rede pública de ensino, consolidando-se como uma das mais importantes políticas de enfrentamento à insegurança alimentar infantil no país. Estudos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) também indicam que o consumo da merenda escolar é mais recorrente entre estudantes de famílias de baixa renda e moradores de áreas rurais, reforçando a relevância desse serviço para populações em situação de maior vulnerabilidade.
Entretanto, a insegurança alimentar não se resume apenas à ausência de alimentos em determinados períodos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a segurança alimentar está relacionada ao acesso regular e permanente a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente para atender às necessidades da população. Isso sem que as famílias precisem abrir mão de outros direitos básicos, como moradia, saúde e educação. Nesse sentido, trata-se de uma condição diretamente associada à dignidade, ao bem-estar e à garantia de direitos fundamentais.
É nesse contexto que iniciativas desenvolvidas por organizações sociais ganham relevância. A Associação Pró-Esporte e Cultura (APEC) acompanha diariamente crianças, adolescentes e famílias inseridas em cenários de vulnerabilidade social e econômica. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em abril de 2026, o Brasil registrou um índice histórico de 80,9% de famílias endividadas, realidade que impacta diretamente o cotidiano dos lares e, consequentemente, o desenvolvimento de crianças e jovens.
“As condições de trabalho e renda impactam diretamente o dia a dia das famílias, muitas vezes resultando em situações de insegurança alimentar, que representam um risco social real e comprometem significativamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes. O que vemos no Brasil hoje é um endividamento muito grande, somado a condições precarizadas de trabalho, com aumento da informalidade e sazonalidade de recebimentos”, destaca Marina Borges, assistente social e mestra em Serviço Social.
Para além da prática esportiva, projetos como o Bola Bacana 12 representam uma importante proposta de intervenção social. Pequenas ações, quando realizadas de forma contínua e comprometida, podem produzir impactos significativos na vida de uma criança ou adolescente. Por isso, a APEC inclui a oferta de lanches em seus projetos, compreendendo que alimentação, acolhimento e convivência caminham juntos no fortalecimento de oportunidades e no desenvolvimento integral dos participantes.
O resultado dessa iniciativa aparece até mesmo nas respostas mais espontâneas dos alunos. Durante entrevistas realizadas ao longo das atividades, uma pergunta costuma se repetir: “Qual foi a sua parte favorita do projeto?”. Entre diferentes respostas sobre esportes, amizades e brincadeiras, não é raro ouvir, acompanhado de um sorriso sincero, uma resposta simples e direta: “o lanche”. Um detalhe que, à primeira vista, pode parecer pequeno, mas que ajuda a revelar a importância de ações capazes de fazer a diferença no dia a dia de quem participa.
Somente nos projetos desenvolvidos pela instituição, são distribuídos aproximadamente 100 mil lanches por ano. Mais do que números, trata-se de um investimento em bem-estar, permanência, vínculo e cuidado, contribuindo para que crianças e adolescentes encontrem nos projetos um ambiente seguro para aprender, crescer e construir novas perspectivas.
Diante desse cenário, iniciativas que unem esporte, cultura, educação e cuidado tornam-se ainda mais importantes. São ações que não resolvem sozinhas desafios estruturais complexos, mas que oferecem apoio concreto, fortalecem vínculos comunitários e ajudam a construir oportunidades reais para milhares de crianças e adolescentes.








